terça-feira, 8 de março de 2011

Negócio de amor


Se você não tivesse olhado para trás ao atravessar a rua. Se esses seus olhos, que hora me querem e hora não, não tivessem me olhado recheados de lagrimas. Se não tivesse o último abraço, abraço quente como de quem não quer soltar. Se não fosse tão óbvio que logo no ato já estávamos arrependidos, hoje não haveria nada, nem lembranças, essas que o tempo hora leva depressa demais, hora nos faz remoer o que de bom passou, e passaria tão rápido que não sobraria tempo de segurar, passaria no vão entre os dedos. Mas você olhou para trás, você ligou, houve o que seria o último abraço e era óbvio que o arrependimento batia antes mesmo da decisão ser tomada.
Depois que você para e pensa como tudo era tão fácil de entender, percebe que o sofrimento é opcional, de fato. Percebe que o que você quer depende muitíssimo de você, mas também depende de quem pode te dar. E nada é dado não, tudo é vendido, trocado; um pouquinho de carinho em troca disso, um tatinho de amor ali, uma flor aqui e um elogia lá... Tudo é comercializado de alguma forma, mas não deixa de ser sincero, só é lucrativo. O amor é um negócio, um negócio dos bons para quem sabe levar.

domingo, 6 de março de 2011

Preferências

Eu prefiro presunto a queijo, azul a rosa, chocolate branco a preto, dançar a cantar, tocar a dançar, ouvir a tocar. Prefiro abraço a aceno, beijo a abraço, amor a paixão, amor e amor e amor e amor... Alho a tomate, comédia a terror, foto a vídeo, pessoal a impessoal, seriado a novela, qualquer coisa a Faustão, e amor e amor e amor, inteligência a físico, olhos verdes a azuis, os seus os seus e só os seus olhos. Você a calma, você a carnaval, você e você e você, só você. Doce a salgado, beijinho a brigadeiro, inverno a verão, mas calor e calor e calor que venha do teu corpo, só do teu. Cafuné a mordida, trem a ônibus, moto a carro, coca-cola a guaraná, companhia a solidão, e que a minha companhia seja você hoje, você amanhã, você depois e depois e depois, que seja só você. Engordar a emagrecer, carta a rosa, rosa a chocolates, chocolates a pelúcia, pelúcia a cartões, e qualquer demonstração que parta de você, verdadeira, simples, distinta, que seja sua, sua e sua, somente. Esperar a atrasar, fazer a me arrepender, viver a ter medo, e viver e viver e viver com e de você.