Mais do mesmo
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Vírgulas
O olhar oblíquo, o jeans surrado, o cheiro doce do acordar, a pele branca na pele negra, o contraste, a poesia, a matemática, o toque que conforta, aquece e arrepia. O beijo com gosto de coisa que precisa acontecer, todos os seus sabores, o som da voz, as palavras, toda loucura, a doçura do abraço,
as pernas tão adoradas e nada douradas como as minhas. A inquietação, a desorganização dos cobertores, meu andar na ponta dos pés, sua postura firme, seu rosto iluminado pelo sol, seu rosto calmo enquanto dorme, seu rosto ali e aqui, seu rosto por toda parte, em qualquer rosto que eu olhar. O sentimento vez em quando puro, vez em quando sacana,vez em quando confuso. As meias verdades, a conversa boa, o cigarro aceso, os dias vividos em madrugadas, o vinho, o passado no romance literário, o presente, a pretensão de futuro, as vírgulas sem pontos finais. O desejo que não acaba.Você. Eu. Quem sabe. Quem será? O racional é que não é. Todas as curvas, a necessidade da presença. O corpo colado no meu, que outro não encaixaria tão bem, meu bem.
sábado, 9 de agosto de 2014
Maré
E apesar da saudade imensa, solitária e profunda como o mar... Eu insisto em navegar. E desse mar não saio.
- Venham, tempestades! Enfrento todas. Uma de cada vez, ou todas juntas se for necessário.
E não volto mais para águas conhecidas. Agora, preciso descobrir essa imensidão sem fim. Vou navegar por aí, por aqui.
Que não me esperem os portos de lá. Naquele horizonte não cruzo. Não volto mais.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
E ali estavam todas as coisas que você já havia tocado, todas aquelas coisas das quais eu queria me livrar, com medo de que ao chegar perto delas, pudesse encontrar um cheiro, uma lembrança, que me fizesse desarmar. Mas a prova de que havia sido real, a prova maior de que você existiu em cada canto dos meus dias, era eu. Aqui estava o corpo tocado,e aqui estavam guardados todos os sentimentos sobre você.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
O dia
Hoje, meu amor, é o dia. O dia que separa o nosso passado do
nosso futuro. É o dia que me distancia de você. E todas essas últimas coisas me
são tão infelizes; a última vez que vou a sua casa, a última vez que pego em
sua mão, a última vez que te vejo articular, o último abraço, o último beijo, o
último olhar doce e discreto, a última
dolorida, sofrida e temida vez que te vejo sorrir com os olhinhos apertados,
como se lhe faltasse espaço na face, para um sorriso grande como esse. Sinto
uma melancolia sem fim por estar aqui, escrevendo, enquanto uma estrada te leva para longe do meu destino.
Você, que é o meu amor arrebatador, que me desperta os
sentimentos mais intensos, que é minha inspiração, que me move e me recomeça, parece
agora levar o algor da vida que há em mim.
As suas idiossincrasias lhe caiam tão bem, que não faço
gosto por esquecê-las – e não posso. Seus mais infinitos gestos, e tons, e
manias e trejeitos me são agora de certo peso - como deixá-los?
Os caminhos que apontam para o infinito de nós dois parecem
agora tão abstrusos. Mas não desanimo. Sigo em frente, vou à luta, por mim e
por nós, porque por nós vale o desafio. E distancia nenhuma nos impede. E eu te
amo.
(Escrito no dia em que ele foi embora.)
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Menino
Porque você é o meu menino dos olhos brilhantes, e anda
assim; de cara amarrada, que assusta a todo mundo menos a mim. E me convence de
suas teorias malucas sobre o mundo, e sobre o potencial que cada um tem.
Porque você me olha de um jeito meigo, e poderia me olhar
por horas, e me reconheceria de muito longe. E me faz esperar sempre, depois me
olha com cara de ursinho de pelúcia, com um bico deste tamanho assim, e eu te perdoo por esperar um tempão em frente ao portão da sua casa.
Porque você é lindo mesmo, e não quis me ver quando quebrou o dente, dizendo que não
era mais tão lindo assim – como se fosse possível deixar de ser. E foi embora
uma vez, e nesse tempo a cidade toda ficou sem graça, sentindo uma falta
horrível da sua presença por ai.
Porque você é assim, tão agitado e ansioso, e faz uma cara
de mau quando está pensando longe, e me deixa louca quando anda mexendo no
celular. E agora desistiu de usar camisetas com estampas, sabe-se lá por que.
Porque você é meu amor desde sempre, desde que posso me
lembrar, e esta nossa história já tem tanto tempo, e tantas voltas e súplicas e
juras e promessas, que não vejo outra possibilidade a não ser a de viver todos
os dias que ainda me são de direito, com você.
Mas principalmente porque você é o meu menino bonito, que
nunca deixou de me amar, e que eu nunca deixei de amar, que até quando longe,
se fazia presente em todos os pensamentos meus. E agora vai de novo para longe
de mim, e até as nuvens me olharão na rua com pena, vendo minha figura
solitária caminhar por ai, e quem passar por mim vai saber como estou sentindo
uma falta imensa de você.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Fase boa
Juro que eu to numa boa. Tá tudo tão bem, tão descontraído, fácil, simples. Tá gostoso de acordar às 6h da matina – nem reclamo.
O dia tá bom quando tá frio, quando tá calor, quando tá sol ou chovendo.
Acordo, e minha única preocupação é; será que o chá de menta acabou? Sem preocupações absurdas, sem pressão, tá tudo assim; tranqüilo.
Eu to em paz, to curtindo, to dançando, to deixando a vida me levar. E ela tá me levando, e eu to gostando. To adorando.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Toda, tudo, todo
Devora-me toda, tudo, todo, completamente, eu.
E não me incomoda saber o quanto você me invade, o quanto me torno tão sua, o quanto te quero tão meu. Sinto-te tanto em mim, e não me preocupo, só te adoro.
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