Hoje, meu amor, é o dia. O dia que separa o nosso passado do
nosso futuro. É o dia que me distancia de você. E todas essas últimas coisas me
são tão infelizes; a última vez que vou a sua casa, a última vez que pego em
sua mão, a última vez que te vejo articular, o último abraço, o último beijo, o
último olhar doce e discreto, a última
dolorida, sofrida e temida vez que te vejo sorrir com os olhinhos apertados,
como se lhe faltasse espaço na face, para um sorriso grande como esse. Sinto
uma melancolia sem fim por estar aqui, escrevendo, enquanto uma estrada te leva para longe do meu destino.
Você, que é o meu amor arrebatador, que me desperta os
sentimentos mais intensos, que é minha inspiração, que me move e me recomeça, parece
agora levar o algor da vida que há em mim.
As suas idiossincrasias lhe caiam tão bem, que não faço
gosto por esquecê-las – e não posso. Seus mais infinitos gestos, e tons, e
manias e trejeitos me são agora de certo peso - como deixá-los?
Os caminhos que apontam para o infinito de nós dois parecem
agora tão abstrusos. Mas não desanimo. Sigo em frente, vou à luta, por mim e
por nós, porque por nós vale o desafio. E distancia nenhuma nos impede. E eu te
amo.
(Escrito no dia em que ele foi embora.)

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