sexta-feira, 17 de junho de 2011

Closer to the edge



Sinto como se nada tivesse sido de verdade e que tudo foi um longo tempo perdido. Olhando as fotos agora, me perco no tempo que passou, que ficou para trás, mas que se faz ausente em todos os dias que vivo. Nas fotos fica evidente, mês após mês, que as faces já não estavam ali tão contentes como no início, no começo. No fim, começo a pensar no começo, no caminho que percorri com ele, no que gostaria de ter feito junto a ele , no que fiz, nas conversas, nos segredos, na intimidade. Você pensa em como era bom o carinho, o afeto, o calor das mãos unidas, o beijo. Como era bonito o rosto dele, como trazia paz. Percebi como era claro o que eu insistia em não ver, em não acreditar, nas verdades estampadas na cara. Começo a perceber quem gostava mais, quem fazia mais e notar coisas que nunca notei.
É ruim descobrir que tudo o que eu pensava conhecer sobre o outro, se põe em dúvida. Descobri que esperanças são boas, mas não hoje. Que a palavra de alguém não se sustenta por muito tempo, simplesmente assim. Que o passado tem mania de querer se intrometer no presente e que você deve deixá-lo para trás sem resistir. O passado é puramente o que passou e o que não deve tentar ser revivido. Que estar longe de quem se ama, é muito mais difícil do que se imagina, mas que estar longe já significa estar no passado.
Imagine um dia, um encontro de novo, num lugar qualquer. Mesmo que a regra seja não tentar reviver o passado.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Partes




Então resolvi parar de fugir de tudo o que faz parte de mim.
Fechar os olhos e se sentir livre, por saber que tudo o que tem dentro de você, é raro e não faz sentindo esconder, fugir, correr, lutar contra. Tudo o que deve ser esquecido, será esquecido e eu não me preocupo mais com isso. Agora eu vivo, vivo intensamente cada minuto que me suporta num fio de vida.
Você vê? Como tudo anda muito claro, fácil, prático. Tudo anda concreto, tudo é o que é, tudo que dizem é o que ouvi. Tudo anda mais fácil, é verdade. Mas sinto falta do velho amor, do antigo beijo, dos tri jeitos, das manias, do abraço e aconchego. Tudo faz falta, até o cheiro, mas ficar sem também ajuda de alguma forma. Clareia as idéias, abre espaço para novos pensamentos, me dá tempo. E tempo sozinho, por incrível que pareça é bom. Fechar os olhos e se sentir livre, como no início da vida, do texto, do tempo.
A conclusão que chego é que, em meio a amores devastadores, espetaculares, loucos, mais que suficientes, vida agitada, bebedeira, fumaça e o caralho a quatro, o que sobra para o outro dia é a lembrança –quando se é possível lembrar no dia seguinte- e imagine só, ninguém nunca vai poder ver o que você viu, nunca será o que você foi naquela noite, tarde ou manhã. Ninguém nunca vai viver exatamente o que você viveu, e isso me dá uma vontade louca de aproveitar todos os milésimos, mais que os segundos que já aproveito. É incrível.