segunda-feira, 26 de abril de 2010

Eterno


Até algum tempo atrás, juro que não tinha vontade nenhuma de ficar aqui, onde estou hoje. Sempre fui apegada a tudo que é difícil ter. Aquilo que fica na imaginação, que não deixa a gente descansar, sabe? Não sei o que me acontece agora, não quero ir embora, e não quero que a vida mude dessa vez, agora está estranhamente tudo bem, estou satisfeita com o que acontece no momento, e o único motivo que me trás essa satisfação de vida é você. Entende? Eu nunca quis envelhecer, mas eu ficaria, numa boa, a vida inteira com você. Eu nos imagino a cada dia, fazendo algo novo, saindo por ai, viajando, passando tardes e tardes juntos. Fazendo qualquer coisa, só você e eu. Também já nos imaginei em uma casa, com crianças, um cachorro, você jogando vídeo-game (futebol não é o seu forte, eu sei!). Já imaginei a gente quietinho, deitado numa rede, ou assistindo um filme antigo na Sessão da tarde. Já cansei de imaginar daqui a uns 70 anos, eu podendo dizer que você é realmente o que eu sempre quis, e não me arrependi de nada, desde que te conheci.
Ultimamente não me acontecem mais planos sem que você esteja no meio deles.

Olha! Eu sempre achei isso tudo muito careta. Eu de verdade, nunca acreditei nisso tudo. Mas sempre aparece alguém pra pessoas como eu, que sem querer, nos fazem crer em coisas assim.

Não quero estar longe de você, por todo o tempo que eu tiver.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

É


E veio em suas mãos, mais uma vez, mais um desejo almejado. Ou não veio? E não era o que esperava? E olhou para o que achava possuir. Meio vazio era, meio sem palavra, sem gesto, sem jeito, sem cara do que ela imaginava ter cara. Olhou, observou, criou teorias. Mas será isso mesmo? Não falta algo? Não tem cor, nem brilho. Não via amor nenhum do que falavam ser amor.
Se é isso, não quero. Se não tem graça, quero algo que me faça rir. Se não tem riso, quero algo que me faça não querer dormir.
- Você pensa o tempo todo em mim? –investigou.
- Não, tenho outras coisas que pensar, poxa. Respondeu.

Então ainda não achará o que perdeu tempos atrás. Aquilo era amor, era pensamento dia inteiro, sonho a noite toda, com a mesma pessoa.
E imaginava, em todos os lugares, como seria se ele estivesse.
Mas e agora? Ela continua a imaginar, e continua querendo todo aquele afeto, atenção, aquele sonho e a imaginação continua a fluir. E com que motivação? Nunca foi de fazer plano, mas agora quer certeza, quer caminho, carinho, quer amor.

Decidiu que queria amor, amor estampado na cara, que todo mundo pudesse ver, sem muito perguntar, que era AMOR. De verdade. E analisou mais uma vez o que tinha em suas mãos... Uma semente, talvez.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Olhar


Fica inquieto, medroso. Não quer olhar, o olhar, para dentro. Com receio do que possa encontrar. E olha. Olha tudo que vê; mas quase não vê, está escuro. Acende o brilho dos olhos, feliz pela escuridão, e então o brilho ilumina o que se temia. Está ali, parado, como uma farpa no dedo. Encolhido, minúsculo; e machuca, muito. E o olhar se cala e fecha, como uma palavra que não pode se desprender da garganta, mas quer. E ficam estáticos, um olhando pro outro, a saudade que o olhar temia encontrar, ele encontrou. E então se arrepende por procurar, vasculhar, torcendo para não mais existir, o que nunca vai se dissolver ou curar. E o olhar volta inquieto agora, e permanece.