terça-feira, 20 de abril de 2010

Olhar


Fica inquieto, medroso. Não quer olhar, o olhar, para dentro. Com receio do que possa encontrar. E olha. Olha tudo que vê; mas quase não vê, está escuro. Acende o brilho dos olhos, feliz pela escuridão, e então o brilho ilumina o que se temia. Está ali, parado, como uma farpa no dedo. Encolhido, minúsculo; e machuca, muito. E o olhar se cala e fecha, como uma palavra que não pode se desprender da garganta, mas quer. E ficam estáticos, um olhando pro outro, a saudade que o olhar temia encontrar, ele encontrou. E então se arrepende por procurar, vasculhar, torcendo para não mais existir, o que nunca vai se dissolver ou curar. E o olhar volta inquieto agora, e permanece.

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