
Veja que, por mim, jogava tudo pro alto; cabelo, roupa, as garrafas de vinho... Ficava com o cigarro, e saia correndo por ai. Nua de pensamento, de tristeza, de dor, de amor, nua. Se eu fosse embora, seria bem melhor. Correr livre, com o pouco do pulmão ruído que ainda resta, que presta, sem pressa de chegar. Mas chegar? Não quero chegar e mais uma vez ancorar, parar, viver, todo dia a mesma coisa. Viveria correndo e correndo e correndo, e vivendo de momento. Cada pedacinho de dia, montaria minha história... Se eu tivesse coragem de jogar tudo pro alto, de correr, de não parar, de não viver uma rotina todo dia. Mas gente é que nem bicho, se for domesticado, se viver em casa, não sobrevive na selva/mundo. E ai eu paro e penso como o a gente é besta, de querer não ter nada, já que a gente foi feito pra ter cada dia mais e mais e mais. E depois eu penso de novo, e vejo se sinto alguma culpa por não querer nada do mundo, além de um tantinho de felicidade aqui, um pouquinho de liberdade acolá; não sinto nada, nada além da mesma vontade.
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