domingo, 24 de janeiro de 2010

Sem solução, medo


- Essa pulseira passa ou não passa pela sua mão?
- Prefiro não tentar passar, pode apertar, enroscar, entalar, vai saber.

- Essa palavra sai ou não sai da sua garganta?
- Se sair, sai arranhando, prefiro não solta-lá daqui.

- E esse machucado, menina, vai ficar sem remédio?
- Mas e se arder? Deixe assim, pior não fica.

- Todas essas magoas dentro de você, por que não as esquece?
- Tenho medo! Melhor magoas e lembranças ruins, do que viver sem qualquer tipo de lembrança.

- Por que você pensa tanto? Por que não vive?
- Estou pensando em como começar a viver, me deixa aqui, pra pensar.

- E esse amor, por que não o dá pra alguém?
- Por que amor é coisa pra se guardar, não tem motivo pra amar. Amar tem um preço alto demais, que não quero mais pagar.

- O que te fizeram para ser assim?
- Me fizeram amar demais.


Amar não é ruim, não mesmo. Mas amar mentiras me deixa um terrível medo. Então fico aqui, só eu e meus medos, minhas inseguranças. Sem ninguém em volta, que possa julgá-las ou piorá-las. Sem também, me dar outra oportunidade para reverter a situação. Prefiro assim.

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